quinta-feira, 17 de julho de 2008

O Regresso - França

O motivo principal desta viagem foi minha participação em um evento para apresentação de um trabalho. Como a maioria já sabe, a participação rendeu frutos: uma premiação. Estou me sentindo mais confiante em relação ao meu trabalho, ao que sou capaz de fazer. Foi uma forma que Deus escolheu para me mostrar que o esforço vale, e valeu à pena, que todos esses meses de trabalho árduo, de desânimo, de momentos perdidos sem dar atenção à minha filha Anabela não foram em vão. E ela saberá também e espero que isso sirva de incentivo para ela estudar e querer fazer algo legal.

Após o evento aproveitei para conhecer um pouquinho da França: Toulouse, Tours, Paris, Chartres, Giverny e Reims. Infelizmente não consegui voar de balão em Tours.

Antes de minha partida, o coração bateu forte, por conta da ansiedade da apresentação e do tempo longe de Anabela. Chorei antes, durante e depois da viagem, quando a vi. Eu estava com muitas, muitas saudades. Na última semana em Paris eu já não estava mais com tanto pique por causa da saudade, que já estava incômoda demais.

Durante a viagem senti um turbilhão de coisas: coisas relacionadas à minha vida pessoal, minha vida profissional, ao mestrado, à minha filha, aos meus sonhos, às minhas metas, à família... Não sei o porquê, mas durante as minhas viagens faço uma reflexão sobre minha vida. É como seu estivesse a vendo como outra pessoa qualquer, uma pessoa de fora. Isso é bom, porque nos possibilita enxergar aquilo que não está bom e não percebemos enquanto vivemos o dia-a-dia, muitas vezes tão corrido. Pensei, analisei e concluí que a minha vida está do jeito que eu planejei e isso me deixou muito feliz, e claro, satisfeita. Pequenos ajustes são necessários e novas metas vão surgindo, mas a vida é assim, dinâmica, e eu adoro isso.

O que posso dizer dessa viagem? Ela foi ótima! Inesquecível! Diverti-me bastante, conheci muitas coisas que eu apenas tinha lido a respeito; algumas eram tais como as fotos que já tinha visto; outras, totalmente diferente do que imaginei. E para completar, estava com o meu amado Leo. Tem coisa melhor do que estar em Paris junto com uma pessoa especial? Espero poder um dia voltar à França, à Europa.

A idéia inicial de um "Diário de bordo" é organizar e postar fotos, dicas, micos, coisas que não deveriam ter sido feitas (porque tiveram algumas) e resenhas. Enfim, quero tentar descrever as emoções e sensações sentidas por mim nessa viagem e guardá-las, não só aqui dentro do meu coração.

Vamos ao que interessa?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Toulouse - Dia 1

Toulouse (23 a 27/06)

Dia 1 (23 - segunda) – chegada

Paris vista de cima é grandiosa. Enquanto sobrevoávamos a cidade até o aeroporto, procurei ansiosa pela Torre Eiffel. É uma paisagem diferente de todas que já tinha visto. Não tem montanha; é tudo plano. É uma cidade de concreto, manchada de verde, cortada por um rio comprido e largo, e de repente aquele monumento imenso de ferro. Imaginem um quintal gramado sem nada e no meio um chafariz molhando a grama. É assim.

Enfim piso em solo francês depois de 11 horas de viagem. Ao contrário do que pensei consegui dormir no avião (além de comer e assistir um filme). Não consegui rever os slides da apresentação. Na verdade só cheguei a Paris, onde fiz conexão para Toulouse, meu primeiro destino. Mas escreverei algumas linhas sobre esta chegada, pois recebi muitos emails perguntando sobre a entrada na França (imigração).

Bem, como era inesperado, pelo menos para mim, nada anormal ou ruim aconteceu durante a minha entrada. Acho que fui um pouco tensa para lá em relação a isso, porque todos que me davam dicas, falavam que a imigração era chata. Chegaram até a comentar comigo: “Lembre-se, você é uma mulher viajando sozinha”. :-O O pessoal da imigração pegou o meu passaporte, leu, carimbou e me entregou, sem nem conferir se eu era eu mesmo. Deve ter sido sorte ou esse é um procedimento normal.

Passada a imigração e dentro da França (de fato), para ser mais exata, no aeroporto Charles de Gaulle (CDG), preciso ir até o terminal 2E (do outro lado do aeroporto) para pegar minha conexão para Toulouse. O aeroporto é imenso e cheio. E tem váriooooos terminais. É preciso andar, andar... Chego ao terminal para a conexão e tenho que entrar na sala de embarque (ó, que óbvio). Putz, é preciso tirar tudo da bolsa. É isso aí, T-U-D-O, tudo da bolsa. O cara olha item por item na bolsa, mesmo depois do raio-X; e todas as pessoas passam por isso, sem exceção. Algumas pessoas tiveram que tirar o sapato e até aquele porta-dinheiro na cintura. Para eu me sentir mais próxima de Bela, levei uma bonequinha dela na mochila. O cara que bisbilhotava a minha bolsa, pegou a bonequinha, apertou e balançou-a olhando para mim com uma cara de surpresa: “A doll?”. Pensei em mandar ele catar coquinho, mas vai que o cara entende? (rs)

Depois dessa invasão de privacidade, finalmente entro na sala de embarque. Tal como o aeroporto, a sala é imensa, cheia e ... quente; o teto é de vidro branco (quase transparente). Imagina aquilo embaixo do sol de meio-dia no verão? E o ar-condicionado não estava dando vazão. Se alguém acha o aeroporto de Congonhas uma bagunça, é porque ainda não viu o CDG (e com certeza ainda não vi outros mais bagunçados). Pelo menos aquele terminal e para vôos domésticos era muito confuso. Com atraso, finalmente anunciaram nosso embarque (em francês apenas) através de um microfone que não funcionava. Curioso é que o aeroporto Galeão faz qualquer anúncio relativo a vôos em português e em seguida em inglês. O metrô do Rio também. Lá na França, nem no aeroporto (embarque doméstico) nem no metrô, nem nos trens existem avisos em segunda língua. Na verdade no metrô não tem aviso nenhum. E nossa cidade é tão turística quanto Paris. E aqui temos essa preocupação. Seria essa uma preocupação desnecessária? Bem, entendi que era o meu vôo porque não desgrudei o olho do monitor ;-)
Encontrei o Alexandre (meu co-orientador) na sala de embarque e combinamos de rachar o taxi até o hotel em Toulouse. Chegamos ao hotel por volta de 15h30min, quase 2h e 30min a mais que o previsto. Minha companheira de quarto (Vanessa) já estava passeando pela cidade. E o Alexandre ia descansar. Percebendo que eu não ia conseguir dormir um pouco, pois estava uma barulheira de obra no hotel, resolvi sair e dar uma volta a pé pela cidade. Dá para ir a pé para qualquer ponto turístico da cidade.

A primeira hora andando por Toulouse foi estranhíssima: sem relógio (não uso); sem entender uma mísera palavra; com fome, pois até aquela hora ainda não tinha comido nada além de sanduíches; e sentindo um calor horrível. O clima estava tão seco que minha pele logo mostrou sinais com a falta de umidade: cortes nos lábios e um corte abaixo do olho esquerdo, bem na região das minhas olheiras (era discreto, mas estava ali, queimando).

Depois dessa sensação estranha, comecei a me sentir, literalmente, em outro país. :-) Lugares, pessoas, comida, clima e cultura diferentes. Comecei a me sentir eufórica. Estava ali, sozinha, como uma estranha no ninho. Mas uma estranha no bom sentido; e uma sensação ótima de estranhesa. Comecei a pensar nas tantas revistas de viagem que li e dos lugares que imaginei. Algumas daquelas imagens eram agora reais! Eu estava dentro de uma reportagem de uma revista! Ok, Ok, vou descer para a Terra, sou mesmo uma romântica e sonhadora.

A fome estava apertando e a cabeça pesava. Precisava encontrar um lugar para comer. Eu ainda não estava à vontade com a língua (francês) e não sabia a reação das pessoas com o inglês (todos falavam negativamente dos franceses quando falamos em inglês com eles). Procurei um lugar um pouco mais vazio e que eu pudesse apontar para o que eu queria comer (rs). Encontrei uma pâtisserie e comi um sanduíche (de novo) e um suco de frutas (ácido e amargo). Surpreendi-me com o tratamento recebido da balconista, que foi super educada e simpática, e até tentou me ensinar a pronúncia daquilo que eu estava comendo. Não sei o que tinha dentro do sanduíche, mas estava gostoso e saciou a minha fome.

No hotel encontrei com a Vanessa.

A noite saímos para jantar, com o Alexandre, Marta (minha orientadora) e outras pessoas, inclusive franceses. Dessa vez foi mole comer, porque tinha tradução simultânea do cardápio. Nossa, que jantar maravilhoso! Tomei vinho (Chinon) e comi Magret de Canard (peito de pato). Que comida é essa? DE-LI-CI-O-SA!

Pela primeira vez vi o sol se pôr pouco mais das 10h da noite. Surpreendente!

Dormi como um bebê essa noite.

Frases do dia: “Jê ne parle pá franrcé”; “Vous parlé anglé?” "Bon Jour" "Au revoir"
Desculpem, meu curso rápido de francês só ensinou a pronúncia (rs)

DICAS: em nenhum lugar encontrei suco de frutas da própria fruta (natural). Os artificiais são bem amargos. Se quiser tomar um suco gostoso, escolha o de Laranja do Brasil, que é vendido até em restaurante. ;-)

Não deixem de experimentar Magret de Canard!!!

A boneca sempre na cabeceira da minha cama. E no pescoço da boneca tinha um cordãozinho enrolado com a foto da minha Anabela. Ô mãe coruja!

domingo, 15 de junho de 2008

Roteiro: França

Como tenho que dar um "pulinho" em Toulouse, França, para apresentar um trabalho em um congresso (VECPAR2008), vou aproveitar para passear depois do "trabalho".

Eis o roteiro para essa viagem: Toulouse - Tours - Paris - Chartres - Vernon (Giverny) - Reims