domingo, 1 de julho de 2012

[Amigo Viajante: Mário Ginglass] Lagos Andinos

EuSouUmAmigoViajante

 

Data da viagem: Julho de 2012.
Destino: Lagos Andinos (Chile/ Argentina).

 

 

“Inspirado pelo Diário de Bordo da Mel, fizemos, eu minha esposa e dois filhos (João e Lele com 10 e 14 anos), a travessia dos lagos andinos. Não tenho a habilidade da Melissa em descrever os detalhes da viagem mas, cumprindo minha promessa, vou tentar.

[Amigo Viajante: Mário Ginglass] Lagos Andinos

Também tínhamos pouco tempo para viagem (apenas oito dias completos), então os objetivos eram modestos: conhecer Santiago, brincar na neve, esquiar e contemplar a natureza na companhia dos filhotes, esposa e bons vinhos. Iniciamos a viagem por Santiago. A cidade é fantástica e já na partida percebemos que, ainda que passássemos a semana inteira lá, não daria para desfrutar de tudo que a capital chilena tem a oferecer. Ficamos na Providência, uma bairro central com ótimos restaurantes e onde está o maior shopping do pedaço, o Costanera Center.

Para acomodar todo mundo no mesmo “quarto”, ficamos num apart hotel (Costa Lyon - Nueva de Lyon 160) ótimo com dois quartos (uma suíte), cozinha toda montada e sala. Na mesma rua, 200 mts adiante, há um McDonalds 24h, muito útil. Achei tudo muito organizado e barato no Chile. Vale mesmo esperar para comprar aquelas roupas de inverno lá. Um sapato impermeável para neve que aqui no Brasil custou aproximadamente R$ 550,00 lá custava o equivalente a R$130,00.

Contratei todos os transfers, city tour em Santiago e passeio para vinícula Concha y Toro via interhabit.com. Recomendo. Não tenho o que reclamar tanto das operadoras subcontratadas (Turismo77 e Delphos) quanto do serviço do site. Chegamos muito tarde (quase meia-noite) e o primeiro dia foi só.

No segundo, conhecemos a cidade guiados pela Turismo77 (palácio de La Moneda, praça das armas, marco 0 da cidade, Catedral Metropolitana, Cerro Santa Lúcia, Jokey Club etc). Tivemos a sorte de acompanhar a cerimônia da troca da guarda do palácio, que ocorre a cada 48h. A tarde foi para visitar a vinícula Concha y Toro. No caminho, uma paradinha para provar uma Parrilhada de carnes nobres no restaurante La Vaquita Echá. Carnívoros como eu vão adorar, sem falar do vinho. Eu não conheço nada de uva mas achei bom e barato. Na vinícula um guia conta um pouco da história, mostra as parreiras, fala sobre as vinte e poucas variedades de uva e serve dois diferentes vinhos tintos para degustação. Como a Pati não bebe, saí de lá tonto. Na volta, um pulo no supermercado que fica no shopping e, já que estávamos ali, pausa para umas comprinhas e comida.

As ruas são tranquilas e a região da Providência é bem policiada. O metrô em Santiago me pareceu ótimo. Ao lado do apart havia uma estação e em todo lugar que ia sempre encontrava uma estação. O pouco tempo que tinha não me permitiu conhecer o metrô. Com a turminha à tiracolo preferi circular por perto, fazíamos tudo à pé.

No terceiro dia fomos ao Valle Nevado. Contratei da Chilensky um pacote que se propunha a ensinar a esquiar em três Valles (nome que se dá aos três principais centros de esqui em Valle Nevado – Valle Nevado, El Colorado e La Parva). Foi terrível. Era feriado no Chile (dia 16/07 é feriado nacional - dia de la virgem del Carmen) e tudo estava lotado. A operadora errou e nos pegou no hotel muito tarde e em um transfer que faria apenas um passeio em Valle Nevado. Lá tivemos que mudar de transporte e com isso tudo perdemos muito tempo. Só sobrou 1:30 para aprender a esquiar em La Parva e eu precisava de mais umas 5 horas para ficar em pé.

A dica é alugar as roupas em Santiago, pois em Valle Nevado é mais caro. Se for fazer a travessia para Argentina e esquiar por lá, considere comprar as luvas impermeáveis e os óculos de esqui em Santiago, pois, segundo a proprietária da loja de aluguel de roupas de esqui que contratei em Bariloche, por questões de higiene eles não alugam luvas e óculos (faz muito sentido). Achei luvas ótimas por 1500 CLP em Santiago. Não esqueça seu filtro solar, pois o clima seco aliado ao sol forte refletido na neve branca queima bastante a pele.

Em La Parva você desce da van, atravessa a rua e já pode começar a esquiar. Seu ticket de subida só vai ser útil mesmo quando tiver saído do “nível idiota”, o que não ocorreu comigo.

No dia seguinte seguimos rumo à cidade de Puerto Varas. De Santiago, um voo local de quase 2h nos levou à Puerto Montt, onde uma van estava a nossa espera para levar-nos até o hotel Solace, o qual recomendamos com “R” maiúsculo. O almoço do dia foi no restaurante Las Buenas Brasas e o Salmão ao Cancato estava indescritível. O restaurante fica escondido no final (à direita) de uma pequena rua sem saída mas mesmo sem o endereço certo você certamente o encontrará sem dificuldades. O atendimento que recebemos no Chile foi ótimo e nesse restaurante foi melhor ainda pois fomos atendidos por um chileno que viveu anos no Brasil.
Deixamos as crianças no hotel e curtimos uma noite romântica no restaurante Mi Cuba, às margens do lago Llanquihue. Se você não curte charutos e afins não se preocupe, há um espaço reservado para não fumantes. O restaurante estava vazio e o atendimento foi exclusivo. Experimentamos uma cerveja de mel ao som de “dos gardenias” (Buena Vista Social Club), que tocou pelo menos duas vezes.

Pela manhã iniciamos a travessia de dois dias que nos levaria à Bariloche na Argentina. A primeira parada foi para uma visita aos saltos do rio Petrohué. A entrada do parque custa 1500 CPL. Não deixe de tirar uma foto com o rio no primeiro plano e o vulcão Osorno ao fundo.

[Amigo Viajante: Mário Ginglass] Lagos Andinos

Enquanto visitávamos o parque as malas eram carregadas no barco, um catamarã que nos levaria em um passeio de pouco mais de uma hora até Peulla. A navegação se dá pelo lagos de todos os santos e a paisagem é difícil de descrever. O registro que ficou na minha memória (e nas dezenas de fotos) foram os diferentes tons das cores do lugar. O céu azul acima das cordilheiras que à distância parece abraçar o lugar, os tons de cinza das montanhas mais próximas pintadas com o branco da neve que quando derretidas formavam cascatas que rasgavam a vegetação (ora verde ora amarelo “arrayanes” ora marrom) do lugar, antes de desaguarem no lago verde esmeralda.

Já em Peulla, decidimos ir à pé do porto ao hotel Natura, uns 800m (foi o que disseram). Além da natureza exuberante, o que mais chamou minha atenção foi uma escola rural, muito bem cuidada, que abriga cinco alunos num lugar com 120 habitantes. Enquanto as crianças e a Pati curtiam um Canopy (arvorismo simplificado + tirolesa) eu curtia um vinho e o hotel, que é muito bonito. Mais uma vez o atendimento no Chile deu um banho!

No dia seguinte partimos para Argentina e de ônibus atravessamos a fronteira que também marca a divisa entre os parques florestais Vicente Pérez Rosales (CL) e Nahuel Huapi (AR). Adeus Chile e hola Argentina. Não esqueça de verificar se todos os carimbos foram dados, pois na aduana chilena esqueceram de carimbar o passaporte do João. Felizmente nossos hermanos argentinos da aduana em Puerto Frias solucionaram o problema. Carimbos em dia, voltamos às águas, agora pelo lago Frias, para uma navegação de 3 km. Os 3km mais bonitos da travessia, com o Tronador (glacial que marca a divisa dos dois países) agora do outro lado da paisagem. O desembarque foi em Puerto Alegre, recepcionados por deliciosos chocolates argentinos. De lá um pequeno percurso terrestre nos levou à Puerto Blest, onde almoçamos um bife terrível num restaurante lotado e de onde pegamos o último barco que nos levaria a Puerto Pañuelo, a 25 km do centro de Bariloche.

Bariloche me pareceu cabo frio, com frio de verdade. Muita gente ou circulando na rua principal ou disputando vaga em algum dos muitos restaurantes lotados. Com sorte e paciência conseguimos experimentar, na noite do nosso segundo dia na cidade argentina, os fondues do La Marmite. O restaurante vale para uma única visita apenas. Recomendável é o restaurante El Patacon. A gastronomia e o atendimento são exemplares. Recomendo o pernil de cervo e o cordeiro patagônico.

Para esquiar preferi Cerro Bayo, em Villa la Angostura. Como não pensávamos em esquiar só compramos o passe simples, mas chegando lá vimos que as pistas de iniciantes eram ótimas para brincar e tive que pagar mais 155 ARS pelo passe de esqui e 206 ARS pelo equipamento). Em Cerro Catedral testemunhamos a beleza de uma nevasca. Não teve jeito, tive que abrir a boca para comer os floquinhos que caiam... mico total. A paisagem vista do teleférico da neve caindo sobre a vegetação e nas árvores já ressecadas ficou marcada na memória.

Antes de falar da volta ao Rio, preciso registrar o ótimo serviço do Carlos Poche, nosso guia em Bariloche contratado através da Quetrihue Viajes y Turismo – dica que peguei no Diário. O Carlos ficou conosco por dois dias completos. Além de nos transportar o dia inteiro (sete pessoas), nos ajudava com a compra dos tickets nos centros de esqui, com o aluguel e a devolução das roupas alugadas, com a reserva do restaurante, além de fazer nosso transfer para o aeroporto (esse último pago por fora).

A volta para o Rio foi tranquila. A dica é procurar um voo com escala no mesmo aeroporto em Buenos Aires. Peguei um voo que fazia conexão no próprio Aeroparque com conexão de duas horas.

A viagem foi ótima! A inspiração do diário e as dicas com detalhes muy preciosos foram essenciais para o sucesso da viagem. Além do passeio, também recomendo que sigam de perto o Diário de Bordo da Mel. Valeu Melissa!”

Relato de Mário Ginglass, Amigo Viajante do Diário da Mala

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